2º BPM/M Cel Herculano de Carvalho e Silva - Dois de Ouro

Av. Amador Bueno da Veiga, 2774 - Vila Esperança
São Paulo SP  03652-000

Telefone: (11) 2957-4566

2º BPM/M Cel Herculano de Carvalho e Silva - Dois de Ouro

CRIAÇÃO
O 2º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano “Coronel Herculano de Carvalho e Silva” - 2.º BPM/M - cognominado de “Dois de Ouro” - foi criado em 1° de dezembro de 1891 com a denominação de 2° Corpo Militar de Polícia.

Foi seu primeiro Comandante o Tenente Coronel Rodolpho Gregório de Azambuja.

A criação desta Unidade corresponde a um momento de grande expansão da Polícia Militar paulista (à época denominada Força Pública do Estado de São Paulo). Foi nesse período que a Força, nas palavras de Dalmo de Abreu Dallari, iniciava sua transformação em “pequeno exército paulista”, cumprindo objetivo estratégico do Governo do Estado.

Ambicionavam, então, os líderes políticos paulistas, dotar a Unidade Federativa de um corpo militar em condições de assegurar, se necessário pelas armas, a hegemonia paulista no cenário político e econômico nacional, prevenindo-se contra intervenções do poder central, com o que se prenunciava o nascimento do ciclo da “política do café-com-leite”, que perdurou até 1930.

O antigo Corpo Policial Permanente, oriundo do Império, foi grandemente ampliado no período. Em 1891 a Corporação recebe a denominação de Força Pública e, para favorecer a gestão, foi dividida em Unidades. Três dessas Unidades foram, então, criadas pelo mesmo ato legal, no dia 1.º de dezembro de 1891: o 1.º Corpo Militar de Polícia (atual 1.º Batalhão de Polícia de Choque – Batalhão “Tobias de Aguiar”), o Regimento de Cavalaria (atual Regimento de Polícia Montada “9 de Julho”) e o 2.º Corpo Militar de Polícia (hoje 2.º BPM/M).

Conseqüentemente, é esse Batalhão a mais antiga Unidade de Polícia territorial da Polícia Militar, berço de grande parte das Unidades que atualmente respondem pela polícia ostensiva e preservação da ordem pública, sobretudo na Capital.

Por essa razão, o 2.º BPM/M ostenta com orgulho o dístico:

“2 de Ouro: célula máter da polícia urbana paulista”

AQUARTELAMENTO

O 2° Corpo Militar de Polícia dividia com o 1° Corpo, o quartel do Campo da Luz, onde ficou sediado até 1892, quando mudou para Jundiaí (cidade em que permaneceu por quatro anos), tendo então mudado seu aquartelamento para a cidade de Campinas. Um ano após, a sede do Batalhão voltou a ser instalada na Capital; em 1902, novamente ocupava o Quartel da Luz, conjuntamente com o 1° Batalhão. Já em 1908, ocupava o quartel na rua 11 de Agosto, sendo este um casarão que acomodava a tropa precariamente. Esta situação forçou que se adquirisse dos padres Agostinianos, o prédio do antigo Colégio Agostinho, o qual após algumas modificações, serviu de quartel, tendo o Batalhão para lá se transferido em 1912. Cedeu este quartel ao Batalhão de Guardas, tendo a Unidade se transferido em 1936 para a rua José Bento, no Cambuci, permanecendo até 1940, ano que passou a aquartelar-se no prédio da rua José Getúlio, Liberdade. Como o prédio não oferecia condições necessárias para o alojamento da tropa, foi demolido e reconstruído. Nesse ínterim, a tropa esteve aquartelada na rua Ribeiro de Lima e no Regimento de Polícia Montada “9 de Julho”. Após as obras terem sido concluídas, no prédio da rua José Getúlio, a Unidade foi ali aquartelada.

Em 1965, quando Adhemar de Barros governava São Paulo, atendeu ao pleito do Capitão Ralph Rosário Solimeo durante visita à zona leste, desapropriando terreno particular, que cedeu para que se construísse a futura sede do 2.º BPM/M.

Em 1971, o 2.º BPM/M passou a ocupar seu atual quartel, situado à Avenida Amador Bueno da Veiga, 2774.

Em 1975, com a criação do Comando de Policiamento de Área Metropolitano 4 - CPA/M-4, parte das instalações do 2.º Batalhão foram cedidas para a instalação daquele Comando.

DENOMINAÇÕES

A Unidade teve várias denominações, desde a sua criação como 2° Corpo Militar de Polícia, alterando seu nome para 2° Batalhão de Infantaria, 2° Batalhão de Caçadores Paulistas e 2° Batalhão Policial.

Devido à unificação da Força Pública com a Guarda Civil, a Unidade passou a ser designada como 2° Batalhão de Polícia Militar e por força do Decreto n ° 95.054, de 06 de julho de 1982, a Unidade passou a denominar-se 2° Batalhão de Polícia Militar Metropolitano – “ Coronel Herculano de Carvalho e Silva”.

CORONEL HERCULANO DE CARVALHO E SILVA

Biografia pelo Tenente Coronel PM Luiz Eduardo Pesce de Arruda

(do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo)
Herculano de Carvalho e Silva nasceu em Sapucaia, RJ, a 31/10/ 1892, filho de Alfredo Gualberto da Silva e de D. Cecília de Carvalho e Silva. De 26/09/1908 a 28/02/1909 prestou serviços à Prefeitura Municipal de Santos, no Corpo Municipal de Bombeiros.

Alistou-se na Força Pública do Estado de São Paulo aos 16 anos de idade, em 09/10/1909, no 3º Batalhão de Infantaria.

A 22/01/1913 foi promovido a Alferes, concluindo o Curso Complementar Literário e Científico (cerne da atual APMBB) na primeira turma de formandos, em 05 de dezembro do mesmo ano. Casou-se a 10/09/1913, na Capital. Do consórcio com a Sra. Inah Guerra de Carvalho e Silva teve 5 filhos, dos quais apenas um viria a sobreviver.

A 02/08/1916 foi promovido ao posto de Tenente. Posteriormente, em virtude da Lei n. º 1590, de 27 de dezembro de 1917, que alterou a denominação dos postos da Força Pública, foi reclassificado como 1.º Tenente. A 15/04/1919 foi promovido a Capitão e classificado no Curso Especial Militar. A 21/01/1920 foi classificado no 4.º Batalhão.

Ao longo de sua carreira, viria a desempenhar, em ordem cronológica, funções de Ajudante de Ordens de Comandantes Gerais, do Presidente do Estado, dos Secretários da Justiça e Segurança Pública e da Justiça, dos Reis da Bélgica, dos Embaixadores da Itália, da Bélgica, do México, da França, de Portugal, do Ministro da Agricultura, do Presidente da República e do Príncipe de Gales.

Foi condecorado com a Cruz de Cavalheiro da Ordem da Coroa, pelos Reis da Bélgica e com a Ordem da Coroa pelo Rei da Itália e do “Mérito Militar” pelo governo paulista.

Atuou, em julho de 1922, como Oficial de Ligação junto às forças do Exército em operação em Mato Grosso na contenção da revolta que lá eclodiu.

Em julho de 1924 atuou em defesa da legalidade, com risco de morte, na defesa do Palácio dos Campos Elíseos, nos combates do Ipiranga e Guaiaúna, o que lhe valeu a imposição, pelo governo paulista, da “Medalha da Legalidade”.

A 06/11/1924 foi promovido ao posto de Major. Após, foi transferido do 4.º Batalhão para o Estado-Maior. A 11/11/1925 incorporou-se ao 2.º Batalhão, em operações no Paraná, participando e, posteriormente, comandando operações de guerra contra a coluna comandada por Miguel Costa, até 21/07/1925. Após breve estada em São Paulo, reassumiu seu posto de fiscal do 2.º Batalhão, a 23 de julho, retornando a São Paulo a 1.º de setembro, louvado pelo Comandante Geral por haver se portado com inteligência, bravura, lealdade e disciplina e por haver suportado, com rara energia, sol e chuva inclementes e privações de toda a sorte, oriundas da falta de transporte e meios de comunicações. De 22/03 a 19/04/ 1926 viajou à Bahia, onde atuava a Coluna Miguel Costa –Prestes.

A 25 de setembro assumiu o Comando de um batalhão provisório e embarcou para o Mato Grosso e Goiás, a fim de dar combate à “Coluna”. Em 28/01/1927, quando se encontrava em operações de guerra, foi promovido a Tenente Coronel.

Retornou a São Paulo somente a 15 de abril, quando a “Coluna” já se internara em território boliviano.

Em dezembro de 1928 assumiu o cargo de diretor da Caixa Beneficente, entidade da qual seria tesoureiro no biênio 1931-32.

A 4/10/1930, embarcou com o 2.º Batalhão com destino a Itararé, em operações de guerra em defesa da legalidade, retornando à Capital no dia 28. Com a deposição do governo Washington Luiz, foi colocado à disposição do Chefe do Governo Provisório, nos dias 29 e 30 de outubro. De 14 a 16 de novembro foi colocado à disposição do “Coronel” João Alberto.

De 14/03 a 01/04/1931 foi designado interventor no município de Presidente Venceslau.

A 27/07/1931 foi designado para o Comando do 2.º BCP, atual 2.º BPM/M.

Herculano não participou das articulações do movimento constitucionalista e a eclosão da luta, seguida da resistência armada promovida pelas forças ditatoriais, viria a toma-lo de surpresa, como registraria em suas memórias de guerra.

Mesmo não partilhando do entusiasmo que moveu significativa parcela da Força na preparação e eclosão da luta armada, apresentou-se pronto para o combate e seguiu para a região do Vale do Paraíba, no Comando do 2.º Batalhão (atual 2.º BPM/M), à cuja testa suportou, a partir de 16 de julho, forte pressão das forças da ditadura, que precisavam transpor o “Túnel da Mantiqueira”, guarnecido pela Unidade de Herculano, para poder jugular o esforço de guerra paulista.

A morte do Comandante Julio Marcondes Salgado, a 23 de julho, surpreendeu Herculano em pleno posto de luta.

A 26 /07/1932, por Decreto de 23, foi promovido ao posto de Coronel e nomeado Comandante Geral da Força Pública, mesmo enfrentando oposição de parcela da oficialidade, comprometida com a articulação original do movimento constitucionalista, que preferia para o cargo um Oficial em idênticas condições.

Retornando à Capital no dia 28, deixou o setor do “Túnel” que, enquanto sob seu comando, o adversário tentou, mas não conseguiu transpor.

Seu superior, Comandante do Destacamento da área do Túnel, no elogio que formulou à atuação do Coronel Herculano, registrou sua “bravura serena”, “seu valor, sua calma e dedicação à causa que defendia”, definindo-o como um Chefe que soube ser “cavalheiro de fino trato e um soldado de régia têmpera”.

Na homenagem que lhe foi prestada por seus camaradas do 2.º Batalhão, quando deixou o Comando da Unidade para assumir o Comando Geral da Força, recebeu elogiosas referências que rememoravam: “nas campanhas do Paraná, 11 meses de luta pelos sertões inóspitos de Goiás, Mato Grosso, 7 meses de difíceis e arriscadas jornadas, na travessia pelos sertões destes dois grandes Estados, de Itaraí (1) (sic) enfrentando a maior coluna do Sul e finalmente nesta da qual se afasta por se tornarem necessários seus serviços no Comando da Força Pública, sempre soube se conduzir com dignidade, valor e competência...”.

A luta, entretanto, seguia desigual. Superiormente organizadas, adequadamente concentradas, contando com efetivos humanos e recursos materiais muito superiores, as forças da ditadura prepararam para a primeira quinzena de setembro de 1932 a ofensiva sobre os últimos redutos constitucionalistas.

Já a 12 de agosto, o General Bertoldo Klinger, Comandante da Região Militar, sondou a disposição de Vargas quanto a um armistício. As condições humilhantes propostas pela ditadura dissuadiram-no.

As várias frentes de combate vinham sendo rompidas, um cinturão de fogo e aço fechava suas mandíbulas sobre São Paulo e a guerra aproximava-se perigosamente das áreas de maior concentração populacional, industrial e econômica do Estado.

Generais e coronéis, políticos e secretários acompanhavam a derrocada da situação militar e promoviam consultas e reuniões nervosas e desencontradas.

Oficiais notoriamente corajosos e competentes defendiam o fim da luta, reconhecendo que São Paulo poderia resistir a alguns combates, mas que a próxima ofensiva ditatorial, coordenada para as três frentes principais (mineira, sul e Vale do Paraíba) levaria de roldão qualquer resistência desesperada e inútil.

A 27 de setembro, Herculano reuniu-se em Campinas com membros de sua oficialidade e com representantes de Unidades do Exército em ação no Vale do Paraíba, ocasião em que foi deliberado, com o aval dos presentes, diante da impossibilidade da vitória pelas armas, que era um dever patriótico cessar imediatamente a luta para evitar novos e pesados sacrifícios ao Estado e ao País, ficando, pois, o Comandante Geral, com o apoio das forças do Exército e da Força Pública, indicado a entrar em entendimento imediato com as autoridades militares e civis, estaduais e federais, para a cessação da luta.

28 de setembro: Klinger espera até a meia-noite que as autoridades civis assinem com ele um telegrama a Vargas, solicitando o armistício. As lideranças políticas, reunidas no Palácio dos Campos Elíseos com o Governador Pedro de Toledo e alguns Oficiais resistentes, decidem não assinar o telegrama.

Uma hora da manhã de 29 de setembro: O General Klinger, mesmo sem o aval das lideranças políticas, expede o telegrama a Vargas, propondo a imediata suspensão das hostilidades, a fim de serem assentadas as medidas para a cessação da luta armada.

Pela manhã, Vargas manda que o grande ataque governista seja sustado e que os representantes de Klinger sejam recebidos pelo Comandante do Destacamento do Exército Brasileiro de Leste, General Pedro Aurélio de Góes Monteiro.

A ordem do governo civil, entretanto, era resistir. Entretanto, mesmo na Capital paulista, a ordem pública estava seriamente ameaçada pelo risco de saques e pela possibilidade de uma contra-insurreição, visando depor o governo civil. A atuação da Força, da Polícia Civil e da Região Militar impediu mais estes dramas.

Advoga-se a substituição de Klinger e a do Coronel Herculano de Carvalho e Silva, Comandante Geral da Força Pública, pelo Major Romão Gomes, também da Força, que se tornara um mito desde a atuação de sua coluna na frente mineira. Romão Gomes declina do Comando, enumerando as razões pelas quais entendia inviável qualquer resistência.

Enquanto isso, os emissários de Klinger a Góes recusam-se a assinar o protocolo, por julgá-lo desonroso.

As forças ditatoriais atacam em todas as frentes. A munição do Exército Constitucionalista acabou. A estrutura de suprimento entrou em colapso. Alguns soldados paulistas enfrentam o adversário com armas brancas. Outros debandam.

Em vários pontos, as forças adversárias se confraternizam e trocam lembranças com os oponentes de véspera.

Em 1º de outubro, forças constitucionalistas, desmobilizadas, começam a voltar para casa.

Klinger tenta outra vez o armistício. Góes não aceita e quer a rendição.

Dois de outubro: assalto final determinado em todas as frentes, após o raiar do dia.
Ciente de que a situação militar era insustentável, que o governo ditatorial recusasse a discutir a rendição e que, por duas vezes, os emissários de Klinger não alcançaram termos convenientes para um armistício digno, o Coronel Herculano de Carvalho e Silva, Comandante Geral da Força, envia emissários para acompanhar os de Klinger até Cruzeiro.

Como aos emissários de Klinger havia sido concedido prazo para consultas a São Paulo e idêntico prazo não foi concedido aos emissários da Força, decidiram-se estes por assinar o acordo, já discutido, assente e de domínio público. Tais emissários firmaram, então, a paz em separado.

Retirando-se das trincheiras a Força Pública, que era o principal esteio do Exército Constitucionalista, seus soldados foram seguidos pelos voluntários civis.

A luta armada chegava ao fim. Evitou-se assim, no dizer de Herculano, a debandada das tropas, a perseguição dos adversários e a invasão da própria Capital.

A três de outubro, por determinação dos vencedores da luta, assumiu o cargo de Delegado Militar do Governo Federal, deixando o Comando da Força. Herculano reassumiria seu Comando a partir do dia 06, quando deixou o cargo de Delegado Militar.

A 17/11/1932, Herculano retira-se para a inatividade, transmitindo o Comando Geral da Força ao Coronel do Exército Dimas Siqueira de Menezes, que louvou sua “inteligência, dedicação e patriotismo”.

Na busca de um bode expiatório para explicar ao povo a derrota, não admitida até a véspera por dirigentes do governo e pela imprensa, algumas lideranças políticas do movimento atribuíram a Herculano e, por extensão, à Força Pública, a pecha de haver traído São Paulo. A emoção do momento toldava a realidade, e a população passou a hostilizar os milicianos, sem se dar conta de que nenhuma Instituição ofereceu maior patrimônio de sangue à causa da Lei, pois 50% dos mortos paulistas eram integrantes da Força.

Naqueles dias de desilusão e incerteza, Herculano de Carvalho foi enxovalhado, chamado de traidor da causa paulista e tal foi a insustentabilidade de sua posição que se viu movido a transferir sua residência para a R. Henrique Dias, 24 - Rio de Janeiro, em busca de maior tranqüilidade, pois até mesmo sua família foi ameaçada de morte.

Embora haja participado de algumas atividades na Milícia, especialmente como colaborador da Caixa Beneficente da Força, viveu em relativo ostracismo e faleceu em 11 de março de 1963, sem poder assistir em vida a plena reabilitação de seu nome.

Malgrado a decisão de Herculano ainda suscite apaixonados debates entre os historiadores, que tentam interpretar as razões definitivas de sua atitude, apenas na década de 70, graças, sobretudo, ao esforço do eminente historiador Coronel PM Edilberto de Oliveira Mello, Herculano de Carvalho teve sua imagem resgatada.

Sua coragem em optar pela paz, tomando uma das decisões mais difíceis que se pode impor a um Comandante, salvou milhares de vidas, preservou o patrimônio, evitou o arrasamento da agricultura, do parque industrial e das cidades paulistas e contribuiu para que São Paulo, rapidamente, se reerguesse após o fim da luta armada, rumo à rápida pacificação nacional.

Por força do Decreto n. º 95.054, de 06 de julho de 1982, passou a emprestar seu nome ao velho “Dois de Ouro”, que, desde então, denomina-se: “2. º BPM/M – Cel Herculano de Carvalho e Silva”.

(1) Trata-se possivelmente de Irati - PR.

Fonte: Revista Força Policial n.º 41.

Foto: Galeria de retratos dos Presidentes da Associação dos Oficiais da Polícia Militar do Estado de São Paulo, reproduzida na revista supra citada.

O SIGNIFICADO DE "2 DE OURO"

Desde princípios de 1892, ia acesa a luta partidária no Rio Grande do Sul contra o Governo de Júlio de Castilhos.

Impotente para dominar o movimento das forças denominadas "federalistas", lideradas por Gumercindo Saraiva, o Governo gaúcho recorreu aos préstimos da União, que chamou a sí a tarefa de pacificar o território conflagrado. O conflito regional, a partir daí, se estendeu.

A concentração de tropas no território sulino, desguarnecendo a Capital da República, favoreceu a conexão da ação dos federalistas com os revoltosos da Armada, também insatisfeitos com o regime de Floriano Peixoto. O surgimento desses focos de oposição transferiu para o campo de luta o questionamento do regime de Floriano e passou a representar sério risco para a estabilidade das nascentes instituições republicanas.

O avanço dos federalistas era veloz, submetendo o Rio Grande, Santa Catarina, grande parte do Paraná e ameaçando as divisas do Estado de São Paulo.

Atendendo ao apelo do Presidente da República, Bernardino de Campos, chefe do Executivo bandeirante, determinou que as divisas paulistas fossem bloqueadas ao avanço que vinha do Sul e enviou, para o enfrentamento direto dos rebeldes, o recém-criado 2.º Batalhão, sob o comando do Tenente Coronel Alberto Júlio Ribeiro de Barros, ele mesmo um veterano da Guerra do Paraguai.

Tenente Coronel Alberto Júlio Ribeiro de Barros.

Pedro Dias de Campos descreve o episódio (2) com a autoridade de testemunha privilegiada, contemporânea dos principais personagens do feito:

" Já então se achava em Paranaguá o 2º Batalhão de Polícia de São Paulo, ido de Santos a bordo do São Salvador, armado em guerra e que fazia parte da esquadra legal.

O batalhão aquartelou no palacete do Visconde de Nacar.

Paranaguá estava deserta, guardando um aspecto de cemitério em abandono.

Toda sua população estava foragida, desde que os revoltosos ali puseram os pés. Por toda parte notava-se a passagem dos vândalos. Casas arruinadas pelos tiroteios, portas arrombadas, mostrando vestígio de saque...

No palacete, onde se acomodara o batalhão, notavam-se, nos muros dos compartimentos internos, manchas ainda rubras, ali deixadas talvez pelos degolados e pelos seviciados.

Apesar do abandono da cidade, as sepulturas, recentemente fechadas no cemitério, demonstravam que não faltaram vítimas para alimentar a sanha dos invasores. Estava paralisado o tráfego na estrada de ferro. Os trilhos foram levantados em vários trechos pelos revoltosos, após sua retirada para Curitiba, levando consigo todos os trens.

Providenciava ativamente o tenente coronel Alberto de Barros, para obter uma máquina que arrastasse alguns carros de lastro, a fim de transportar-se com o batalhão para Curitiba, onde os revoltosos estavam ultimando os preparativos para a fuga. No dia 1º de maio, às 07 horas da noite, depois de uma perigosíssima viagem pela íngreme serra da Graciosa, entrou o batalhão em Curitiba, em cuja gare a população inteira aguardava a sua chegada, que fora noticiada.

No trajeto até o vetusto quartel do 17º, na rua 13 de maio, foi o batalhão muito vitoriado. De toda parte se lançavam flores em profusão sobre as colunas que desfilavam.

Era intenso o entusiasmo das famílias curitibanas, pela entrada dessa força, ao serviço da legalidade. Senhoras acompanharam o batalhão, sobraçando cestas de flores, para atapetar o calçamento, em que pisavam os soldados paulistas. E todas, delirantemente, aplaudiam e levantavam vivas ao estado de São Paulo. Coube a esse batalhão a glória de ter sido a primeira força que ocupou a capital paranaense, antes de ser restituída ao regime legal.

Os revoltosos, com a aproximação do 2º de São Paulo, debandaram, tomando rumos diversos."

A imprensa curitibana atribuiu ao 2.º Batalhão, nesse episódio, o epíteto de "02 de Ouro" , que orgulhosamente ostenta até o presente.

Em muitos objetos em uso pelos integrantes da Unidade, como abrigos e camisetas de educação física, brindes, canecas e outros ainda hoje é possível observar-se a inserção da carta correspondente ao "2 de Ouro".

(2) Campos, Pedro Dias de. A revolta de Seis de Setembro. Typ. Aillaud, Alves & Cia: Paris - Lisboa, 1913, p.324-325.


Histórico

Mostrar o Mapa Website

Informações do Local


Fundado: 01 de dezembro de 1891

Categorias: Empresa de defesa, Organização governamental, Órgão do Poder Executivo




Informar um Problema

Eventos Passados

Passeio ao túnel da Mantiqueira

Passeio ao túnel da Mantiqueira
7:00 - 02/10/2017

Local: 2º BPM/M Cel Herculano de Carvalho e Silva - Dois de Ouro

Convidamos a todos policiias e veteranos para participarem do Passeio ao túnel da Mantiqueira.O Túnel da Mantiqueira é um túnel ferroviário com 997 metros de...

São Paulo Tweets

SSAR_SaoPaulo
SSAR_SaoPaulo
From 4:44, International Space Station will fly over #SaoPaulo with magnitude -2.9, elevation 42.8 degree… https://t.co/np5u6LvgCR

Raphael Tafner
Raphael Tafner
Calm before the storm. . : #saopaulo #spcity #sampa #sp4you #saopaulo_originals #splovers… https://t.co/jC5Blc0qN0

Marcos R.S.Costa
Marcos R.S.Costa
#Brazil Love you master @TheRealStanLee #Brasil #SãoPaulo

Thaís
Thaís
Sobre #SP ❤️ https://t.co/7j5iv4qe16

Igor Gabriel
Igor Gabriel
Black n White ————————————————— #saopaulo #sp #saopaulocity #brasil #brazil #blackandwhite… https://t.co/j0aDRoxnBN

Paulo Cunha
Paulo Cunha
Grande JR! #encontro #recife #jaboataodosguararapes #sp em Shopping… https://t.co/xCPLzJwyVe

horacio nunes ramos
horacio nunes ramos
RT @SPesportesnews: Relacionados do #SãoPaulo https://t.co/gSyTMvFyll

Sergio SAN
Sergio SAN
Good evening #photography #saopaulo #brazil https://t.co/G8KCiHUf3c

F3RNANDO  Sampa
F3RNANDO Sampa
Wet'n not wild. . . . #sampa #chuva #rain #itsrainningrain #centro #Xperia #photo… https://t.co/zLQ60X0Kh3